RESENHAS

julho 26th, 2017

A Luta por um Ideal

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Written by: Flávio Junio
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WBD-116 - Viola Davis, left, and Maggie Gyllenhaal star in WON’T BACK DOWN.

 

A alarmante situação na qual se encontram as escolas públicas ao redor do mundo já foi tema de diversos filmes, alguns mais, outros menos engajados para enfatizar uma tragédia social. Tentando corroborar seu poderio, o governo tenta vender uma imagem politizada do problema, maquiando o quanto necessário para que n deficiências não batam de frente com seus interesses. São desses dilemas que trata a trama de A Luta por um ideal, terceiro filme da carreira do cineasta Daniel Barnz, mais conhecido pelo anêmico A Besta.

Na abertura somos apresentados a Jaime Fitzpatrick (Maggie Gyllenhaal), uma jovem mãe solteira que  batalha para manter sua filha em uma escola particular, mesmo ciente de sua condição social irregular. Obrigada a matricular a pequena Malia em uma instituição pública,Jaime não sabe como agir diante da dislexia da filha, que  enfrenta a rejeição dos colegas e professores de sua nova escola (entre os graves problemas do sistema educacional mundial, há a falta de estrutura e capacitação para lidar com crianças com necessidades especiais). Do outro lado, também vítimas do sistema, estão a professora Nona Alberts (Viola Davis) e o filho. Acometido por um problema neurológico ( mais tarde sua origem será revelada), o garoto possui uma espécie de retardo, o que o coloca em um campo periférico se comparado com as crianças ditas “normais”. Somados ao despreparo e a falta de investimento dos órgãos responsáveis, os interesses destes em promover uma bela fachada impulsionam a união de forças entre Jaime e Nona – que, embasadas em elementos vigentes na constituição americana, criam uma proposta para assumirem o controle de sua escola, na lanterna no ranking nacional. A ousadia das duas personagens gera oposição principalmente do sindicato, que tenta desmoralizá-las a todo custo.

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Baseado em uma história real, o roteiro – escrito pela dupla Brin Hill e Daniel Barnz, tenta,  até  que com certa sutileza – tornar A Luta por um ideal  um filme que se equipara com obras como o inesquecível Ao Mestre com Carinho,  estrelado por Sidney Poitier , que aborda questões sociais e raciais no subúrbio londrino,  entretanto  a mão pesada de Barnz compromete bastante a produção. Sua inexperiência e a falta de traquejo, já percebida no citado A Besta, inutiliza o material, uma vez que não se decide por qual tema focar – a proeminente luta das protagonistas ou o relacionamento destas com seus pares. Em tempo, a sucessão de cortes abruptos é outro sinal de que o cineasta não consegue construir mise-en-scènes consistentes de modo a gerar empatia por parte do espectador. Há situações extremamente descartáveis, como o envolvimento de Jamie com Mike Perry ( um desperdiçado Oscar Isaac) – um dos professores de Malia. Muito embora esteja no discurso acomodado de Perry — ao decidir não se envolver na militância de Jamie e Nona – as melhores falas do longa: Minha intenção é apenas ensinar, nada mais do que isso. Maggie Gyllenhaal faz o que pode para defender sua personagem, em detrimento ao roteiro , que insiste em torná-la quase que um arremedo da Poppy Cross de Sally Hawkis em Simplesmente Feliz. Viola Davis por sua vez demonstra a competência de sempre, embora aqui também não tenha seu talento valorizado.

Com uma premissa importante, A Luta Por um Ideal  chama a atenção por ser uma obra com uma  temática atual e indelével, mas decepciona por não fazer jus à qualidade de seu elenco e suas intenções. Pois, como disse John Adams, 2º presidente da história americana, e que cede nome para o cenário principal do filme, a escola John Adams : “Todo o povo deve assumir a educação de todo o povo e deve arcar com os custos disso. Não deve existir um só distrito de um quilômetro quadrado sem uma escola, não financiada pela caridade individual, mas mantida às expensas de todos”.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




One Comment


  1. João Dioni

    Um filme que mostra o sério problema da dislexia que se tornou comum em nossas crianças e que nenhuma autoridade faz nada para reverte-lo.
    Um grande filme.



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