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julho 26th, 2017

A Um Passo Para o Estrelato

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Written by: Flávio Junio
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Darlene Love, Merry Clayton, Lisa Fischer , Judith Hill…Esses nomes são praticamente desconhecidos mundialmente , entretanto a força e a dedicação dessas mulheres, backing vocals de grandes nomes do pop e do rock mundial , tornaram-se material para o ótimo documentário  A um passo do estrelato (20 Feet From Stardom), dirigido por Morgan Neville e vencedor na categoria melhor documentário da última edição do Oscar.

Alternando entre os depoimentos das protagonistas, narrando seus sonhos, desilusões e suas experiências não tão bem sucedidas como solistas,  e de  astros como Bruce Springsteen, Mick Jagger e Stevie Wonder, a produção vai se desenvolvendo sempre sinalizando sua real proposta. Neville testifica o quão importantes são as vozes de apoio em uma apresentação musical, e apesar da posição secundária que esses artistas assumem em um espetáculo e das atenções majoritariamente voltadas para quem está na linha de frente, o grau de importância atribuído a elas por músicos consagrados como Springsteen e Sting é singular.

Lisa Fischer, a melhor e mais talentosa das retratadas, despontou para o estrelato (abusando da frase clichê) trabalhando com os Rolling Stones, durante anos foi a principal voz feminina nas apresentações do grupo. Valendo-se das ambições da maioria dessas profissionais de construírem uma carreira como solista, enfrentou os dissabores da indústria musical americana, onde o talento puro e unicamente nem sempre é garantia de sucesso. Ao mesmo passo as veteranas Darlene Love e Merry Clayton — na juventude parceiras constantes de grandes ícones do rock e do soul — conheceram o auge e o declínio em plena época da luta pelos direitos civis, e em um período onde Aretha Franklin e Diana Ross dominavam a black music. Como berço musical, o gospel foi o primeiro contato de grande parte delas, que encaram a música  como uma experiência transcendental, algo transformador e uma válvula de escape.

Um dos pontos altos de  A um passo do estrelato sem dúvida está na abordagem de Morgan Neville para o espetáculo,  esse universo onde o glamour e a fama parecem ser alvos certeiros dos agraciados com um dom musical e que muitas vezes se perdem no surrealismo.  Há uma desconstrução da imagem vendida pela mídia da instantaneidade e garantias ilusórias de se manter no topo saindo da sombra de um ídolo, em contrapartida a permanência na zona de conforto também pode ser dolorosa.  Algo que chama atenção é o destaque que o cineasta dá para as vozes de apoio femininas ( os homens pouco são citados).

Um retrato sincero e tocante de grandes profissionais que ao contrário do que imaginavam não conquistaram o prestígio e  a  fama  almejados, mas que com  energia continuam entregando-se à arte com a mesma paixão de outrora.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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