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dezembro 13th, 2018

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

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Written by: Flávio Junio
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EM 2012,quando a Marvel contratou Joss Whedon para dar início à franquia dos Vingadores, com seus principais pilares reunidos em uma trama com um mix de ação, aventura e humor  —  boa parte do fãs do Homem de Ferro, Thor, Hulk e Capitão América, todos já tendo se aventurado em produções solos, desconfiou que daria certo, muito provavelmente pelo extenso número de heróis em um pouco mais de duas horas de projeção. Contrariando expectativas, o filme, e sua continuação de 2015, A Era de Ultron, foram grandes sucessos entre o público e a crítica. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de  Batman Vs Superman: A Origem da Justiça — a resposta da concorrente de DC Comics , há tempos de olho no sucesso da rival, que sofre de aguda letargia.

Concebido como uma continuação de O Homem de Aço, a super produção
de Zack Snyder, e roteirizado por Chris Terrio (roteirista de Argo) e David S. Goyer (responsável pelos roteiros de O Homem de AçoO Cavalheiro das Trevas ) — o longa centra-se inicialmente nos efeitos dos últimos eventos do filme anterior, quando a luta entre o Superman (Henry Cavill) com o general Zod ( Michael Shannon) deixou inúmeras vítimas civis, dividindo a opinião mundial sobre o peso de se manter o herói no planeta e as inerentes consequências disso. Seu principal opositor é o milionário Bruce Wayne (Ben Affleck) — que teve parte de seus empregados dizimada no combate entre Clark Kent e seu arqui-inimigo Zod — e acredita que seu rival é uma ameaça para a Terra.

Em tese, o grande destaque da trama seria o enfrentamento entre o Homem Morcego e o Kryptoniano — paralelo ao surgimento de uma nova ameaça,criada por Lex Luthor (Jesse Eisenberg) — que consequentemente dá abertura para a entrada do terceiro elemento da trindade da DC, a atlética Mulher-Maravilha (Gal Gadot) — em sua estreia nas telonas. Entretanto, a falta de um foco principal, e o confuso roteiro da dupla Terrio e  Goyer (esse mais experiente do aquele no segmento) — além da confirmada ausência de manejo de Snyder — quase leva tudo a perder. A começar pela metragem exagerada, para um conteúdo que aposta em momentos totalmente dispensáveis por não trazerem nenhuma novidade, como a enésima explicação sobre como morreram os pais de Bruce Wayne. Somado a isso, tramas paralelas como a investigação de Lois Lane (Amy Adams) a respeito de um episódio ocorrido em terras africanas, com a finalidade de proteger o amado, não tem força suficiente para serem atrativas ou incrementam algo importante à história principal. zack Snyder –que até saiu-se relativamente bem em Watchmen – que reunia um grupo menos popular de herois da DC, perdeu-se ao se intimidar com a responsabilidade de trazer para as telonas a união entre verdadeiros ícones dos quadrinhos. Por outro lado, o envolvimento entre os dois personagens, que não chegam a ser equivalentes em força ou poderes, é de fato interessante. Esperança e fé de  um lado, a resignação e amargura do outro. Enquanto Clark Kent ainda mantém certa solicitude para com a humanidade — que em resposta é capaz de lhe homenagear com um busto – o Homem Morcego, mais velho e exaurido de tantos combates, assume uma postura mais melancólica. Esse paradoxo é um dos grandes acertos da produção, que exalta e o  critica o virtuosismo ao mesmo tempo.

Ben Affleck, quando escalado para o papel, teve que lidar com a desconfiança e zombaria dos fãs radicais dos quadrinhos  – até então discrentes que o ator, conhecido por sua limitação interpretativa, poderia substituir à altura Christian Bale, o Batman de Chris Nolan — mas sua escolha foi das coisas mais acertadas. Há tempos distante da jovialidade, Affleck consegue transmitir o ar de fadiga e abatimento necessário para construir um herói ´com anos de estrada, e que não enxerga o combate ao crime da mesma maneira  de outrora. Sua energia chega até mesmo roubar as cenas de Henry Cavill, que — embora esforçado — quase atua no piloto automático. Protagonista da próxima empreitada da Warner/DC, a Mulher-Maravilha de Gal Gadot é um achado. Nos pequenos momentos em que aparece como a misteriosa Diana Prince, a atriz chama a atenção por sua presença e expresssividade – exaltadas quando assume o uniforme de combate no clímax. Já o Lex Luthor de Jesse Eisenberg é…Por assim dizer…Controverso. De histérico e cheio de pertubações (numa clara inspiração do icônico Coringa de Heath Ledger) ao infatiloide,  com uma justificativa implausível para seus atos letais. Infelizmente tais qualidades da produção se empalidecem quando o trio de heróis é inserido em cenas de ação com efeitos visuais que trazem à memória os de Sucker Punch, a propósito outro longa de Snyder.

O cineasta americano tem suas qualidades (o citado Watchmen é para esse que vos escreve seu maior acerto da carreira até então), em contrapartida ao insistir em um clima dark, não dando deixas para o humor voluntário (como a Marvel faz muito bem com os seus personagens) — e disparando seus arsenais de uma só vez da pior maneira possível – Snyder entrega uma blockbuster que é apenas um ensaio — um jogo de xadrez com as peças no lugar, mas utilizadas de forma tristemente inadequada. 


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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