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agosto 23rd, 2019

CinePerfil — Charles Chaplin

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Written by: Flávio Junio

 

Com uma carreira prolífica no mundo das artes, o britânico Charles Chaplin, nascido Charles Spencer Chaplin em 16 de abril de 1889, é tido como um dos maiores ícones do cinema mudo e um dos precursores da arte cinematográfica em todo o mundo.

Filho de um ator com uma atriz e cantora, Chaplin enfrentou inúmeros dissabores provenientes de um ambiente familiar desregrado. O pai abandonara a mãe quando o pequeno futuro artista ainda não tinha três anos completos, ficando a matriarca responsável pelos cuidados do garoto e de seu meio-irmão. Extremamente abalada com a separação, já apresentando problemas mentais, Hanna Chaplin foi internada num asilo, enquanto os irmãos foram obrigados a irem morar com o pai e a amante durante um curto período de tempo, o que não foi suficiente para que o velho Charles Spencer Chaplin Sr se aproximasse dos filhos.  Já na juventude nasceu a paixão pelo teatro, que o influenciou a entrar na Companhia de Teatro de Fred Karno, um famoso executivo do ramo, onde acabou conhecendo Stan Lauren (o magro da dupla de O Gordo e o Magro). O desempenho de Chaplin nas peças produzidas por Karno foi visto com bons olhos por profissionais influentes do cinema, que o convidaram para participar daquele que seria sua estreia na sétima arte, o longa Making a Living.

Com a carreira promissora que estava fazendo no Keystone Film Company, o estúdio que o havia contratado, idealizou sua mais conhecida personificação, The Tramp (conhecido no Brasil como Carlitos). Trajando um paletó maior que suas medidas, o inseparável chapéu e uma bengala como acessório, o personagem surgiu pela primeira vez em Corrida de automóveis para meninos, de Henry Lehrman. O estilo pastelão até então era proeminente nos filmes que estrelava, utilizando-se das indefectíveis mímicas e de movimentos mais expressivos, na falta dos recursos de sonorização. Com o passar dos anos, conforme seu nome adquiria maior credibilidade no ramo, obteve controle total de suas produções através de um importante contrato com a First National. Com outras grandes lendas do cinema mudo,  Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, criou a United Artists, na qual conquistou sua independência também como cineasta.

Ao contrário do que se imaginava —  com a chegada do som às salas de cinema, Charles Chaplin – na contramão de outros artistas contemporâneos, fez uma transição tranqüila para o novo modelo, mesmo que se opusesse inicialmente a ele. Seu primeiro filme falado foi O Grande Ditador, uma explícita sátira contra o nazismo de Adolfo Hitler, que aqui foi parodiado por Chaplin como Adenoid Hynkel. O longa é considerado um dos melhores já produzidos desde o nascimento da sétima arte.

Com uma visão política bastante peculiar, Charles Chaplin foi colocado na lista negra da era do macarthismo americano, sendo acusado de se opor aos ideais do governo e com isso influenciar negativamente a sociedade. Dessa forma, foi gigantesca a pressão para bani-lo do país, impedindo que residisse nos EUA. Assim terminou a carreira em sua terra natal – produzindo; dirigindo; atuando, roteirizando e compondo a canção principal de A Condessa de Hong Kong, estrelado por Marlon Brando e Sophia Loren. O filme — fracasso nas bilheterias, foi seu “Canto do Cisne”. Já convalescente no início dos anos setenta, voltou aos EUA para receber um Oscar honorário, por sua incrível contribuição a arte – morrendo cinco anos depois devido a um derrame.

Charles Chaplin influenciou inúmeros artistas que vieram depois dele, com seu carisma e perfeccionismo levou milhares de pessoas às salas de cinema, em busca de um pouco de distração em meio a um mundo abalado pelos efeitos da Primeira Guerra Mundial. Poucos conseguiram extrair da plateia risos constantes em uma época onde a tensão era o que imperava. Tais credenciais já elevam o nome do inesquecível Carlitos ao posto de lenda, que mesmo com o passar das décadas, certamente permanecerá na memória.

 

Frases de Charles Chaplin 

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.

“Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz”.

“A vida é maravilhosa se não se tem medo dela”.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




One Comment


  1. Charlie Chaplin, sem dúvida, é um dos maiores nomes do cinema norte-americano e mundial, com filmes clássicos, inventivos e que marcaram seus nomes na história do cinema. Parabéns pelo texto, que faz uma bela – e merecida – homenagem a ele.



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