RESENHAS

abril 20th, 2019

Em busca da Terra do Nunca

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Written by: Flávio Junio
Quarto filme da carreira do diretor Marc Foster, “Em busca da Terra do Nunca” narra a história de Sir James Matthew Barrie, o criador do Peter Pan.

Com dificuldades em encontrar inspiração para suas peças de teatro, que fracassam seguidamente, Barrie (Johnny Deep) acaba por acaso conhecendo uma viúva e seus filhos e através desse relacionamento – repleto de momentos de diversão – o artista consegue a inspiração necessária para idealizar sua grande obra – a história de Peter Pan, o menino que nunca crescia.

Composta pela mãe Sylvia (Kate Winslet), os quatro filhos desta e a avô dos garotos (a veterana Julie Christie), a família Llewelyn Davies – ao conhecer Sir James Matthew Barrie – se entrega totalmente às histórias e brincadeiras com quais ele os distraía.

Embora todos se divertissem com o entretenimento promovido por Barrie, era Peter (o talentoso Freddie Highmore) quem mais levava tudo aquilo a sério.

Devido a ausência do pai, o garoto visualizava naquele artista a figura paternal que faltava no meio em que vivia.

Em cada uma das fábulas contadas pelo protagonista no quintal da casa de Sylvia e seus filhos, a imaginação transportava-os para o mundo do personagem de Johnny Deep -com seres fantásticos, piratas desbravadores e meninos que saem voando pela janela.

“Em busca da Terra do Nunca” é um verdadeiro primor como produção cinematográfica.

Em praticamente todos os aspectos o filme se destaca e dessa forma lança a dúvida se não era esse, e não “Menina de Ouro”, o melhor dentre os filmes indicados ao Oscar em 2005.

A direção de Marc Foster é extremamente cuidadosa. O diretor age com delicadeza ao mostrar que o mundo de uma criança é repleto de curiosidades, fantasias e imaginação. Na tela não vemos crianças querendo ser adultos ou brigando para fazerem parte do meio deles, são crianças apenas querendo ser crianças. O maiores elogios ao roteiro é justamente por preservar a natureza pura dos pequenos – mesmo que a realidade na qual estão inseridos seja dura e entristecedora, não vemos nenhum super-prodígio mirim.

A direção de arte e os cenários são espetaculares. Seja pelos talheres na mesa de jantar, a casa onde Sylvia mora com os filhos ou o teatro onde as peças de Barrie são encenadas, detalhe por detalhe, tudo foi perfeito. Os figurinos também são de encher os olhos.

Johnny Deep está sensacional como o artista que, abalado por sua crise de criatividade, permite-se voltar a infância, não se importando com as opiniões alheias sobre seu comportamento. Kate Winslet exala doçura ao manifestar seu encanto por aquele desconhecido que tanto alegra seus filhos e a ela também.

Destaque para a presença dos veteranos Dustin Hoffmam e Julie Christie que trazem mais credibilidade a produção, mesmo estando em pequenos papéis.

“Em busca da Terra do Nunca” é um belo filme que faz com que qualquer adulto tenha saudades do seu tempo de criança, período em que tudo se resumia a brincadeiras , inocência e muita diversão. A mensagem que o filme transmite é justamente essa. Apesar de crescermos , ao contrário de Peter Pan, dentro de nós ainda se mantêm intactos aqueles sentimentos que são tão inerentes a fase da infância,como a emoção em ganhar um brinquedo novo ou a tristeza por não poder sair para jogar futebol com os amigos na rua.

Este é mais um filme que não só vale a pena alugar, mas adquirí-lo para uma coleção.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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