RESENHAS

fevereiro 24th, 2019

Guerra ao terror

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Written by: Flávio Junio

Vencedor do Oscar 2010 na categoria melhor filme, “Guerra ao terror” narra a história de soldados americanos que, nas vésperas de retornarem para seus lares, se deparam com inúmeras situações que colocam suas vidas em risco.
A produção retrata com competência um pouco do que realmente acontece nos ambientes de conflito no Iraque.
O protagonista de “Guerra ao terror” é o Sargento William James (Jeremy Renner), especialista em desarmamento de bombas – o personagem transita a todo momento entre a tensão provocada pelas atividades de altíssimo risco e uma vida pregressa.

Faz companhia ao Sgt. James – o Sgt. Jt Sanborn (Anthony Mackie) , que frequentemente bate de frente com James , e Owen Eldridge (Brian Geraghty) – um jovem soldado que enxerga seus companheiros como heróis.

Kathryn Bigelow , primeira mulher a ganhar um Oscar de direção justamente por este filme, lidera com mãos de ferro este drama militar, que é um exercício psicologicamente pertubador.

Cada segundo de “Guerra ao terror” é de tirar o fôlego. Ao acompanharmos as cenas onde o personagem de Jeremy Renner se coloca frente a frente com uma bomba que pode levar para os ares todo o quarteirão – estamos como o protagonista – paralisados pelo medo e ao mesmo tempo dominados pelo prazer da adrenalina daquilo tudo.

Logo na primeira cena do longa já é possível se ter uma idéia do que um simples erro de cálculo pode causar. Qualquer fio errado que for partido pode provocar uma verdadeira tragédia.

“Guerra ao terror” foi o grande rival de “Avatar” no ano passado. As duas produções disputaram pau a pau cada prêmio concedido pelas associações de críticos e os badalados Globo de Ouro , SAG e Oscar. Enquanto a produção de James Cameron assumiu o título de filme que mais arrecadou na história do cinema, o filme dirigido por Bigelow – curiosamente ex-mulher de Cameron – teve uma recepção mais modesta, entrando para a lista de filmes vencedores do Oscar com bilheterias minguadas.

Apesar de não ter sido aceito pela platéia americana, injustamente , é impossível não reconhecer os grandes méritos do drama. A começar, Kathryn Bigelow derruba qualquer pensamento machista que defende que filmes com enfoque no militarismo só dão certo se tiverem um homem como lider da equipe. A diretora é extremamente caprichosa e detalhista aos mostrar as cenas de conflito de uma forma totalmente crua. Quando James, Sanborn e Eldridge entram em ação – não há espaço para emocionalismo ou – o que sinceramente gostei – declarações de amor a pátria. Os três soldados sabem que em circunstâncias com as quais se deparam, aparentar qualquer sinal de fraqueza é perigoso. Muito embora Eldridge demonstre certa insegurança – até mesmo por ser o mais jovem e inexperiente dos três – sua confiabilidade em seus dois amigos o mantém na linha.

O roteiro de Mark Boal é inspiradíssimo. Ao construir uma história onde os protagonistas estão mais para anti-heróis do que muitas daquelas figuras extremamente perfeitas personificadas por Tom Cruise ou Brad Pitt no cinema, Boal acerta em cheio. O Sgt. William James, por exemplo, é um cara bem família, mas também feito de carne e osso , com suas fragilidades e imperfeições.

No campo atuação, Kathryn Bigelow foi extremamente corajosa ao colocar três atores desconhecidos como personagens condutores da trama e por dar espaço para atores famosos, Ralph Finnes é um deles , somente em partipações especiais. Jeremy Renner está perfeito vivendo o soldado que quer sim voltar para a casa e rever sua mulher e filha , mas sabe de sua importância na atividade que desenvolve. O ator , que ficou entre os cinco melhores do ano na maioria das premiações de cinema, tem uma perfomance cheia de nuances. Anthony Mackie e Brian Geraghty também brilham, em especial nas cenas em que precisam demonstrar aflição.

Mesmo sem ter faturado os bilhões de “Avatar” ou ter um elenco repleto de atores oscarizados como em “Nine”, “Guerra ao terror”consegue ser o inverso de sua repercussão, é um grande filme que, já em DVD desde 2009 – depois de ser laureado com o prêmio máximo do cinema mundial – provavelmente não vai ficar parado nas prateleiras das locadoras.

Merece ser visto e revisto.


Prêmios ganhos pelo filme:

Melhor Filme – Oscar e BAFTA

Melhor diretor – Oscar e BAFTA

Melhor edição – Oscar/ BAFTA

Melhor roteiro original – Oscar/BAFTA

Melhor som – Oscar /BAFTA

Melhor edição de som – Oscar

Melhor fotografia – BAFTA


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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