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novembro 19th, 2017

Incondicional

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Written by: Flávio Junio
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Uma mulher prestes a se matar, duas crianças negras são perseguidas após furtarem o supermercado e um homem é obrigado a fazer hemodiálise diária para sobreviver. Três histórias que se separadas poderiam render uma trinca de dramalhões televisivos que perpetuam no horário nobre das grandes redes de televisão. Pouco diferencia o drama Incondicional, com trama baseada em fatos reais e dirigida pelo desconhecido Brent McCorkle, para uma série de telefilmes com o selo cristão e geralmente com orçamentos restritos, em contrapartida a benevolência do filme  para fugir do lugar comum chama a atenção.

Sem grandes rodeios somos apresentados aos personagens. Samantha Crawford ( Lynn Collins) é uma jovem autora e ilustradora de livros infantis que toma para si a obrigação de descobrir o assassino do marido Billy (Diego Klattenhoff), morto há meses. Vivendo solitária em um rancho, ela aos poucos vai perdendo a motivação pelo ofício, passando a investigar por conta própria os suspeitos do crime que possuem as mesmas descrições dadas pela polícia. Já Macon (Kwesi Boakye) e Keisha (Gabriella Phillips) são órfãos  e  vivem de pequenos furtos. A traumática morte da mãe na sua frente resultou na, aparentemente irreversível, mudez de Keisha e na revolta do irmão. A última desta tríade de histórias envolve  Joe Bradford (Michael Ealy) — um ex-presidiário egresso da marginalidade, que assume a direção de uma ONG, dando auxílio a dezenas de menores carentes, a maioria sem pais, e paralelamente lutando pela vida no combate contra uma doença renal. Após um acidente, as vidas dos quatro protagonistas cruzam-se e vão resgatando elementos do passado, como a — até então desconhecida — amizade infantil entre Samantha e Joe.  No decorrer da trama, segredos não revelados  ganham vez, gerando sérias transformações.

Optando pela sutileza em detrimento ao altamente expositivo, McCorkle, também o roteirista, apostou em uma linguagem menos verbal e mais visual ao tocar em determinados temas ligados a  algum tipo de preconceito, o racismo é o mais gritante. Seja na espantada reação de crianças brancas à “escandalosa” inclusão de um garoto negro na escola ou na natural desconfiança de que o algoz de Billy tenha sido alguém da camada mais baixa da região e obviamente afro-americano. Infelizmente correndo contra a maré, o que poderia ser um contraponto interessante e dar maior credibilidade a produção, como o esperado relacionamento interracial entre os protagonistas, não ganha maior desenvolvimento, desviando-se para uma resolução bastante simplista e contraditória. Do mesmo modo, os personagens soam rasos,  muito provavelmente pela dedicação exagerada do cineasta em transmitir uma mensagem específica, mas sem nenhum suporte plausível.

Michael Ealy convence interpretando o homem em busca de redenção e confrontado pelas necessidades alheias, mas seu desempenho fica à sombra de Lynn Collins – a melhor do elenco.  Carismática, a atriz consegue transmitir uma série de nuances que evidenciam o trauma ocasionado pela dor da perda , também ilustrada na abertura do longa através de uma eficiente animação. A participação de Collins neste filme é mais um daqueles casos não raros onde o desempenho de um ator é maior que todo o conjunto.

Em Incondicional temos encontros e desencontros; buscas por respostas e superação; pessoas comuns com problemas comuns, todavia de nada adianta ter uma mensagem edificante para ser transmitida se ela é mal executada. Tradicionalmente os filmes cristãos pecam pela falta de sustância.  Incondicional não foge à regra.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




3 Comments


  1. Nossa, o final deste filme baseado em realidade é mais do que estonteante, surpreende e arrebata! Mensagem bela e profunda bem passada numa película boa. Uma nota 9, quase obra-prima!


  2. Nossa, preciso ver esse filme!!
    Adorei seu blog! Perfeito para umas dicas de cinema!
    Já virou favorito!
    Beijos

    http://www.meumeiodevaneio.com.br


    • BIBIANO ACOSTA DA SILVA

      Lynn Collins está maravilhosa como a Samantha Crawford neste filme. la é cativante, talentosa e linda. Um filme emocionante, vale a pena mesmo ver este filme. Acessem o twitte: Lynn Collins Brazil.



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