OLHAR CINÉFILO

agosto 23rd, 2019

Olhar Cinéfilo: Cidade dos Anjos

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Written by: Flávio Junio
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Um filme bom, dentre outras sensações, deve provocar o seguinte: transportar-nos para uma experiência acessada no recôndito de nossa alma, levando-nos a um significado de existir e ver a vida como inédita. Assim eu me senti ao ver Cidade dos Anjos, de Brad Silberling. A condição de ser gente, partilhada por todos nós, é a maior lição dessa obra. Um anjo, curioso e despertado para o amor, deseja experimentar aquilo que nós podemos sentir: gosto, cheiro, dor, tato, prazer corpóreo. Como imaterial, ele não sabia o que era tudo isso. Até que um dia, seu amor o fez desistir da cidade-dos-anjoseternidade para viver no tempo. Ele se apaixonara por uma mulher, e decidira se tornar homem para amá-la de igual para igual. Ele experimenta o êxtase sexual, e se encanta. “É só uma dentre várias coisas que você precisa descobrir”, alerta a sua amada, acostumada a ser gente. No entanto, a sua primeira noite de homem com aquela mulher fora a única, pois ela morrera logo em seguida. Ao final do filme, faz-se a pergunta a ele: “valeu a pena? Se você soubesse que ela morreria, você faria isso”? Ele respondeu: “eu trocaria toda a eternidade por apenas um beijo, por apenas um toque, por apenas uma noite”. A experiência de ser humano é a maior das curiosas. Vivemos dez, vinte, cinquenta, cem anos, e ainda não conseguimos esgotá-la. Sempre há algo a ser descoberto. Sempre há um cheiro novo, um toque novo… Uma imprecisão que acompanhará a todos os homens e mulheres. Como cristão, destaco que Cidade dos Anjos vai ao encontro da grande narrativa do cristianismo: o eterno que se fez homem por amor. Acredito que essa é a maior das mensagens que esse filme me transmite. Naturalmente, outra pessoa entenderá uma mensagem diferente, porque a pluralidade é própria da nossa condição. Enfim, fica aí a dica para quem ainda não assistiu a essa produção.

Thiago Pinheiro é bacharel em teologia, mestre em ciência da religião, doutorando em teologia e bolsista da CAPES





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