OLHAR CINÉFILO

dezembro 12th, 2017

Olhar Cinéfilo — Clube da Luta

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Written by: Flávio Junio
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Adoro ler e seguir listas de filmes e músicas produzidas por pessoas do ramo ou não, e, principalmente, de amigos, porém odeio fazê-las. Não consigo “medir” a importância daquilo que amo. Como ordenar os três melhores álbuns dos Beatles? Sendo assim, tarefa tão árdua quanto é designar “o filme da minha vida”, pois, assim como música, o cinema reflete nossas ânsias e sentimentos de certa fase de nossa vida. Mas, puts, vamos lá.

A primeira vez que vi Clube da Luta (Fight Club, 1999 – USA/Alemanha) , dirigido por David Fincher, eu tinha uns 21 anos, estava ‘chapado’ e viajei na produção. Desceu-me como um entretenimento qualquer, apesar do ocorrido num cinema de São Paulo, quando um estudante de medicina entrou na sala com uma submetralhadora e matou três pessoas. Eu, quase como sempre, estava muito enganado.

filmes_2009_ClubedaLuta1Com uma narrativa cinematográfica rápida e atuações primorosas da dupla Norton e Pitt, Clube da Luta,  é ácido e permeado de ideias anarco-subversivas, em que a crueza humana aflora em homens bem sucedidos ou não. Toda essa crueza e senso de destruição fervem a cabeça do espectador que, ao final da projeção, tem uma vontade de ‘destruir algo bonito’. Entretanto, penso que esta é uma análise superficial da obra.

Na minha leitura ele trata de questões da modernidade e o papel do homem nesta: desumanizado por uma cultura de consumo, de sucesso, em que o ter se sobrepõe ao ser.

O protagonista de Norton é um homem que deseja viver nessa ‘vida normal’, porém ele já entendeu que essa vida desumanizada, “cópia da cópia da cópia”, não é digna de ser vivida, mas faz de tudo para manter-se nela. Essa ansiedade, ou inconformismo, faz surgir um alter ego, personificado por Pitt, que é libertário e quer viver a vida em seu cerne, como um animal livre, como um ator atuante na gênese de uma ‘nova vida’. A vida real, longe dos sonhos de sucesso pessoal e de consumo. A vida em que o ser prevalece sobre o ter. Uma vida pra ser vivida, não consumida.

Esse é o filme de minha vida hoje, amanhã já não sei não.

Alexandre C. Medeiros é professor de Geografia da rede pública de ensino de MG, formado em Licenciatura em Geografia pela UFMG e maquinista do metrô de Belo Horizonte.





One Comment


  1. Thiago Hot

    Olhar cinéfilo tão bem escrito que se tivesse acabado de assistir o filme agora daria vontade de destruí-lo.
    Apesar do filme não ser muito velho, com seus dezesseis anos, parece que é hoje mais atual ainda do que na época, e essa desumanização do homem esta cada vez mais presente na nossa cultura, cada vez mais reféns do consumo, da propaganda, da ideia do outro que nem percebemos que somos também natureza.
    Parabéns! Belo texto.

    Thiago Hot.



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