RESENHAS

setembro 20th, 2017

Para Sempre Alice

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Written by: Flávio Junio
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Nossa história é feita de bons e maus momentos, e muitos deles refletem no nosso modo de agir e nas escolhas do presente. Conquistas e perdas, situações traumáticas, fatos banais — todos esses elementos são conservados graças à nossa faculdade para  guardar imagens ou ideias que podem ser acionadas espontaneamente ou com algum esforço. Ser privado dessa habilidade torna-se um atentado contra a própria existência.

Baseado no romance homônimo de autoria de Lisa Genova,  o drama Para Sempre Alice traz Julianne Moore em um de seus melhores trabalhos na carreira, vivendo justamente uma mulher que gradativamente vai perdendo a memória  em decorrência do Alzheimer.

Alice Howland (Moore) é uma professora renomada de linguística, mãe de três filhos  independentes e casada com um bom marido (Alec Baldwin), que aos poucos perde a lembrança de palavras, nomes de ruas e compromissos. Diagnosticada com Alzheimer em estágio inicial, a personagem e a família são obrigados a lidar com o novo estilo de vida que a matriarca tem que seguir, além da real possibilidade de um dos filhos desenvolver a doença futuramente, uma vez que a debilidade é genética. Fragilizada e contando com a tecnologia que tem a disposição para driblar o desaparecimento de suas recordações,  Alice vai se reaproximando de Lydia (Kristen Stewart), a caçula da  família, em detrimento à sua resistência quanto às aspirações da garota em ser atriz.

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Dirigido pela dupla Richard Glatzer e Wash Westmoreland, Para Sempre Alice foge da pieguice particular a esse gênero, se abstendo dos abusos maniqueístas na trilha sonora e de frases de efeito, em contrapartida a produção não inova. O roteiro, a cargo de Glatzer e Westmoreland, é simples e direto, não carrega nos tons no desenvolvimento dos protagonistas, cada um deles reagindo de um modo diferente diante dos acontecimentos. Se John, o parceiro apaixonado e temeroso, adota uma postura otimista e compassiva com a esposa, a sensível Anna (Kate Bosworth) – a primogênita, assume a tensão para si.  A premissa é bastante parecida com a de Longe Dela  — de Sarah Polley , no qual Julie Christie interpretava uma aposentada acometida pelo Alzheimer que impulsionava o marido a abrir mão de sua felicidade a seu favor. Não tão inspiradora quanto a trama de Polley e lançando mão de algumas cenas com certo teor de risco ( temeroso o diálogo que Alice faz consigo própria dando conselhos de como deveria se comportar com a evolução da doença), a produção emociona amparada pelo bom elenco, grande parte dele fazendo escada para Julianne Moore. A atriz rouba as cenas, construindo uma figura que — outrora reconhecida e aclamada, vai tendo sua capacidade neurológica deteriorada e que não consegue mais dominar a arte da comunicação, na qual era exímia. Da lucidez à penumbra, Julianne apresenta nuances bem delimitadas – não restritas à sua face (nos bem explorados planos fechados da câmera), mas  de igual modo em sua interpretação corporal.

Bem executada em sua proposta, a produção agrada pela sensibilidade e entra para o rol das boas adaptações do ano. Mesmo não possuindo nenhum arrobo de originalidade, está a léguas de distância de outras películas do segmento e , o que é seu maior trunfo, possui Julianne Moore no seu elenco.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




One Comment


  1. JACQUELINE

    Atuação maravilhosa!



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