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novembro 19th, 2017

The English Teacher

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Written by: Flávio Junio
The English Teacher 01

Mulher solteira, quarenta e cinco anos; sem filhos; inteligente; culta e com a vida financeira estável —  está à procura de um relacionamento sério. Narcisistas, arrogantes e curiosos já de antemão estão descartados. Se fosse divulgar em um anúncio de jornal que está à disposição, Linda Sinclair, protagonista de The English Teacher, debut do cineasta Craig Zisk, se descreveria assim, uma quarentona tão decidida a ponto de servir de exemplo a ser seguido.

Linda (Julianne Moore) divide seu tempo entre suas turmas de literatura em uma escola em Kingston, Pensilvânia — com a convicção de que seus alunos sempre se lembrarão dela — e “curtindo” uma vida monótona em seu soturno apartamento. Seu dia a dia começa a sofrer alterações, quando um ex-aluno (Michael Angarano) a intercepta na rua e revela suas frustrações na competitiva Nova York como pretenso dramaturgo. Não contando com o apoio do pai (Greg Kinnear), Jason Sherwood se entrega a autocomiseração, sem ânimo para se reerguer depois de seu passado de insucesso. As coisas começam a mudar logo após disponibilizar os originais de sua primeira obra para sua ex-professora, que lhe propõe adaptá-la para uma peça escolar, o que poderá lhe trazer algum êxito. Com o apoio de Carl (o sempre competente Nathan Lane), um respeitado professor de arte dramática, Linda só encontra oposição por parte dos diretores da instituição (Jessica Hecht e Norbert Leo Butz, numa curiosa troca de posições) que exigem que o final da peça seja mudado, pois o original é um tanto chocante para adolescentes. O envolvimento de Linda com Jason, o relacionamento deste com uma jovem estudante e as confusões que cercam os preparativos para a apresentação estão no desenrolar desta trama nada original, mas que possui alguns bons atrativos.

Egresso da TV americana, onde dirigiu ou produziu séries como Nurse Jackie e Alias, Craig Zisk concebeu The English Teacher com uma linguagem bem particular à das comédias românticas francesas. A semelhança vai do toque visual ao estilo de apresentação da narrativa. Quando, por exemplo, a protagonista analisa seus pretendentes durante um encontro, o tratamento dado quanto às suas preferências e gostos confere um charme a mais a produção,  indo na contramão daquilo que se espera de uma dramédia norte-americana — onde quase tudo é muito autoexplicativo — e assumindo um viés semelhante ao do longa francês Com amor…da idade da razão, de Yan Samuell. Já a inicialmente deslocada narração em off mais tarde mostrará sua funcionalidade, sendo bastante pertinente ao comportamento de Linda.  O roteiro do casal Dan e Stacy Chariton não dá grandes oportunidades para atores calibrados como Nathan Lane e Greg Kinnear, que outrora já interpretaram personagens semelhantes com os do filme – e coloca a recém-descoberta Nikki Blonsky (Hairspray) como figurante – entretanto confia em Julianne Moore merecidamente todo o destaque.

Mulheres interpretando o patinho feio há muito não são novidades na sétima arte, o resultado varia entre o escracho e o sutil na maioria das vezes. Julianne Moore, por sua vez, consegue transmitir veracidade a uma mulher dedicada à profissão e admirada por seus discentes — mas sozinha em sua existência. Passiva, ingênua e fraca são alguns adjetivos nada agradáveis que podem ser conferidos a professora Sinclair, que consegue pouco a pouco derrubar cada um desses rótulos ,constantemente atribuídos a ela, na medida em que sua personagem vai se desenvolvendo na história.  Em contrapartida, The English Teacher não é mais um daqueles exemplares baseados em telenovelas latinas onde a protagonista , sem grandes atributos estéticos, no final se torna uma femme fatale. A metamorfose aqui é puramente interior e consequentemente comportamental, e Moore transmite isso com propriedade.

Sem grandes pretensões, The English Teacher agrada mesmo que seu enredo apresente clichês usuais e seus trunfos conferem dignidade ao conjunto.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




2 Comments


  1. retribuindo a visita , é muito bom descobrir novos sites e páginas dedicadas á sétima arte … Assisti esse filme semana passada e achei bem mais ou menos rsrsr , mas claro que com Juliane Moore sempre competente …Curtindo a fanpage e agradecendo por curtir a minha , sempre que puder darei uma passada por aqui .


  2. Olá Flávio. Estou acompanhando seu site e adorando. Obrigada pelos comentários agradáveis sobre meu blog.

    Abraço



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