RESENHAS

julho 23rd, 2019

Um Pouco de Caos

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Written by: Flávio Junio
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Mais de dez anos após sua estreia como cineasta, o veterano ator Alan Rickman retorna ao ofício com o drama romântico Um Pouco de Caos.   Em uma época onde alguns atores e atrizes  têm se arriscado por trás das câmeras, com resultados que  variam do irregular ao muito bom, nessa nova empreitada Rickman entrega uma obra sem fortes atributos, com uma premissa que não consegue chamar a atenção.

Sob encomenda do Rei Luis XIV (Rickman, também no elenco), o famoso arquiteto  André Le Notre (Mathias Schoenaerts) projeta os jardins para o Palácio de Versalhes, e para isso resolve selecionar um paisagista que possa auxiliá-lo na empreitada. Tamanha a responsabilidade e a suntuosidade da construção, depois de inúmeras entrevistas, Notre escolhe Sabine de Barra (Kate Winslet) como assistente. Impulsiva e com um estilo que serve de contraponto à visão de seu contratante, Sabine entrega-se ao trabalho e aos poucos seu relacionamento com o arquiteto aprofunda-se, para desgosto de Madame Le Nôtre (Helen McCroy).

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Com os dois primeiros atos arrastados e sem grandes ganchos, a produção demora a empolgar. Rickman até pacientemente permite um bom desenvolvimento de suas personagens, mesmo com o drama forçado e anêmico do roteiro escrito a três mãos, Rickman, Allison Deegan e Jeremy Brock. Entretanto, talvez  motivada pela falta de química entre Winslet e Schoenaerts (aqui inexpressivo) a trama direciona-se para o conflito vivido pelo monarca, vitimado por uma tragédia, que o torna,  com perdão do clichê, mais humano e acessível. Não à toa que Alan Rickman reserva para si a melhor personagem, ofuscando a desinteressante história do casal principal. Na verdade, a dupla  de protagonistas destaca-se quando nos solos. Cada um, à sua maneira, mergulhado na melancolia e resignação. Enquanto a viúva Sabine tenta enfrentar os traumas de seu passado duplamente trágico, Le Notre faz perdurar um casamento de aparências. Ainda, roubando as cenas, Stanley Tucci coleciona mais um personagem gay na carreira, ao viver o não assumido Duke Phillipe, irmão mais velho de Luis XIV.

Em detrimento ao ótimo elenco, Um Pouco de Caos deixa a desejar principalmente pela inexperiência de Rickman como cineasta, que apostou em grandes nomes do cinema e revelações,mas que em contrapartida oferece uma produção que chega a soar amadora em n momentos, em especial quanto à parte técnica (cenografia e fotografia irregulares) e um enredo entediante. Um real tropeço numa nova carreira mal, em duplo sentido,  iniciada.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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