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setembro 20th, 2017

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Written by: Flávio Junio
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Alguns fatores separam os X- Men, uma das melhores criações do mago dos quadrinhos Stan Lee em parceria com Jacky Kirby, de seus congêneres. A densidade das histórias dos famosos mutantes por si só permitem uma gama de temáticas que muito se assemelham com a realidade. A luta contra o preconceito, a busca pela autoaceitação, a tecnologia a serviço (ou desserviço) da comunidade. Foram exatamente esses elementos que atraíram há 14 anos o cineasta Brian Singer para a empreitada de levar os heróis de Lee/Kirby para o cinema, e que o trazem de volta em Dias de um Futuro Esquecido, sequência de Primeira Classe, o pontapé para uma nova trilogia, entremeada pelas irregulares aventuras solos do mutante Wolverine.

Tomando por base a trama publicada nas edições 141 e 142 em 1981 , o roteiro , co-escrito por Singer, centra-se em um futuro onde as Sentinelas, gigantescos robôs criados pelo chefe político Bolivar Trask (Peter Dinklage), exterminaram boa parte dos mutantes e os poucos que restaram, entre eles Charles Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen),  tentam além de lutarem pela sobrevivência deter os acontecimentos vindouros enviando Wolverine (no caso, sua consciência) em uma viagem ao tempo, mais exatamente em 1973, quando as criaturas de Trask ainda eram só uma projeção. A principal missão de Logan é unir as versões jovens do Professor X (James McAvoy) e Erik Lensherr/Magneto (Michael Fassbender) e juntos impedirem as ações da transmorfa Mística (Jennifer Lawrence) que consequentemente desencadearão o extermínio em massa da raça mutante.

Adotando uma premissa mais direta e com menos dramas paralelos do que em Primeira Classe, em Dias de um Futuro Esquecido algumas questões retratadas como pano de fundo nos longas anteriores já estão maturadas e apenas ganham um ou outro momento. A intolerância, por exemplo, já não possui o mesmo foco, e cede espaço para um misto de ação e ficção científica, uma ótima combinação desencadeada por uma iminente tragédia provocada pela neurose de um personagem tomado pela sede de vingança, que logicamente não pode mensurar os efeitos de seus atos. A conexão entre passado e futuro, jamais soando confusa ou incoerente, é pontuada pelas evidentes marcações na tela sinalizadas por Brian Singer, que – diga-se de passagem, é expert em nunca subestimar a inteligência do público. Os cenários sombrios e opressores onde Tempestade (Halle Berry), Bishop (Omar Sy) e Blink (Fan Bingbing) confrontam as Sentinelas, mesmo artificiais e não fazendo jus ao uso da técnica 3d, funcionam na tela servindo como contraponto ao iluminado e colorido anos setenta, em plena era Nixon. Em tempo, os figurinos de Louise Mingenbach retratam com fidelidade a moda vigente naquela época, exibindo o estilo e os excessos daquele período.

Reunindo antigos e novos personagens, a produção trouxe vigor a uma franquia que é das mais respeitáveis no universo Marvel. Os desempenhos dos veteranos Patrick Stewart e Ian McKellen nas versões mais maduras de Professor X e Magneto respectivamente continuam singulares, e aqui é possível encontrar referências nas relações dos dois através da ótima perfomance da dupla James McAvoy e Michael Fassbender. Depois de tantos anos na pele do voraz Wolverine, Hugh Jackman continua pulsando vivacidade e fúria, defendendo que sua escolha para o papel não foi um erro do destino. Impossível não destacar também o crescimento como atriz de Jennifer Lawrence. A Mística da primeira franquia, representada por Rebeca Ronjim como uma espécie de guarda costas, cedeu lugar para uma figura multidimensional, com tantos traumas e questionamentos que fizeram dela uma fundamental antagonista.

Talvez pareça exagero dizer que com Dias de um Futuro Esquecido Brian Singer tenha se reinventado depois de uma má sucedida experiência com Superman – O Retorno, entretanto sua ambição em contar uma história que não se reduz ao simples e puro entretenimento o torna um dos melhores do ramo. Enfim, estamos diante de um dos grandes e mais marcantes filmes do ano, e isso não é pouco.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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