RESENHAS

maio 20th, 2019

X-Men – Primeira Classe

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Written by: Flávio Junio

Considerado o quinto filme da saga X-Men, contando com uma aventura solo do mutante Wolverine , X-Men: Primeira Classeé um prequel das histórias dos três primeiros longas, assim podendo ser compreendido como um momento de descobertas.Charles Francis Xavier (James McAvoy) é um jovem aprendendo a lidar com seus poderes telepáticos em plenos anos sessenta, com Jonh Kennedy na presidência dos EUA, problemas políticos e uma guerra entre países prestes a estourar. Futuro mentor dos X-Mens – Xavier ainda lutará pelos direitos civis de uma raça de homens e mulheres desprezados pela humanidade, devido a suas habilidades especiais, procurando sempre manter uma postura equilibrada e pacifista. Muito anos antes – do outro lado do mundo, conhecemos ainda criança Erik Magnus Lehnsherr/Magneto, nascido Max Eisenhard – que vê sua família ser dizimada devido suas origens judaicas.

Posteriormente capturado por Sebastian Shaw (Kevin Bacon) , um ambicioso milionário que se adentra numa organização secreta que planeja dominar o mundo através de manipulações políticas – Lehnsherr ( já consciente da força de seus poderes magnéticos) acaba se aliando ao líder dos X-Mens no combate a Shaw. A partir daí – Xavier , com a ajuda da agente da CIA Moira Mctaggert ( Rose Byrne) e do chefe da organização X , conhecido apenas como o Homem de Preto (Oliver Platt) , tenta localizar mutantes pelos arredores para fazerem parte de sua ordem. Ao seu lado já está Raven Darkholme/Mística (Jennifer Lawrence) , uma bela adolescente que vive os conflitos decorrentes da idade e de sua aparência bizarra, aliviados por sua capacidade morfa.

Localizados os mutantes, Charles Xavier e Erik Magnus (Michael Fassbender) vão em busca deles – conseguindo reunir no mesmo grupo: Hanck McCoy – o Fera ; Armando Muñoz – auter ego do mutante Darwin; Alex Summers (irmão de Scott) que vem a ser o Destrutor ; Sean Cassidy – o Banshee e Angel Salvatore.

Dirigido por Matthew Vaughn , responsável pelo controverso Kick-Ass , X-men: Primeira Classe é uma experiência por sinal interessante – principalmente pela oportunidade de descobrir como tudo começou na vida de algumas figuras famosas do universo HQ. As versões jovens do professor X e de Magneto , explicam um pouco o porquê da personalidade apresentada pelos ex- amigos vividos outrora por Patrick Stuart e Ian McKellen. O elucidativo contraste entre o modo sereno de Xavier e o crescente desejo de retaliação de Magnus – se torna o ponto alto do roteiro, que algumas vezes dá impressão de que vai fugir dos trilhos, mas se mantém até o fim.

Vaughn contou com a ajuda preciosa de Brian Singer – diretor dos dois primeiros filmes – no roteiro e que também atua como produtor nesta produção. Singer escreveu o texto com três outros roteiristas – deste time faz parte Josh Schwartz – criador de The O.C, por assim dizer alguém já experiente em retratar o universo juvenil.

O modo como alguns personagens de Primeira Classe são expostos chegam a lembrar certos aspectos dos roteiros no tratamento dos heróis dos primeiros longas. Se em Conflito Final Vampira (Anna Paquin) era uma adolescente que tentava lidar com fantasmas pessoais e que buscava aceitação através de uma cura – aqui é a Mística de Jennifer Lawrance que enfrenta traumas e lutas existencias devido a sua aparência. Do mesmo modo , Magneto e sua sede de vingança, apresenta pontos – guardadas as devidas proporções, que se assemelham à revolta de Wolverine. Grande parte do charme desse grupo de heróis da Marvel , é devido ao contexto da história e a posição em que eles se encontram. Charles Xavier, Magneto , Mística , Angel e todos os outros lutam – cada um a sua maneira , para serem tratados com normalidade, defendendo que – apesar das diferenças – não são de fato uma ameaça. Por serem minoria a dor do desprezo é infinitamente maior. Se os responsáveis pelas produções anteriores foram bem sucedidos ao buscar alguma identificação do espectador neste sentido, o mesmo pode se dizer de Primeira Classe. Outro ponto a favor foi apostar em acontecimentos reais como pano de fundo ( o discurso do presidente Kennedy sobre A Crise dos Misséis Cubanos foi uma peça empregada com competência) . Como todo produto pode algumas vezes conter um fio solto, a presença de January Jones como Emma Frost ( a Rainha Branca) foi por vezes constrangedora, atrapalhando até a boa perfomance de seu parceiro Kevin Bacon. O trabalho de Jones chegou a lembrar ao de Valerie Perrine como a Srta. Teschmacher de Superman II – no pior dos sentidos. Em tempo, credenciar a origem dos nomes Magneto e Professor Xavier a uma decisão de adolescentes em momentos de euforia e descontração foi bastante ofensivo , principalmente para os fãs dos quadrinhos – em especial os de posição quase xiita.

Indo também na contramão, os efeitos especiais continuam sendo precários. A montagem que fizeram do ditador soviético na sacada de seu palácio, assistindo as tropas sairem às ruas, foi vergonhosa. Brian Singer sempre foi econômico quanto ao uso dessas tecnologias, mas já tendo os heróis mutantes uma trajetória no cinema e com os milhões adquiridos pelos filmes anteriores, Matthew Vaughn poderia ter investido mais nestes truques de imagens do que perder tempo em homenagear suas obras , como Kick -Ass.

Quanto às atuações, os destaques ficam por conta de Michael Fassbender , ótimo como Magneto e que adota uma linha distinta à de Ian Mckellen , o já mencionado Kevin Bacon (ex-astro adolescente que precisava de um sucesso faz tempo) e finalmente Jennifer Lawrence – escolha acertada para viver a imatura Mística , a vilã (aqui ainda heróina) de mil e uma faces.

Apostando em alguns mutantes desconhecidos para quem não acompanha os HQs , o estúdio se deu melhor nesta tentativa, do que ao levar para telona um filme totalmente meia boca como Wolverine: A Origem. Agora vamos ver se o vento sopra a favor ou contra com Magneto: A Origem – o próximo da franquia.


About the Author

Flávio Junio
Flávio Junio é bacharel em Teologia, professor e profissional da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Ex-aluno do curso Teologia, Crítica e Linguagem Cinematográfica, ministrado pelo crítico de cinema Pablo Villaça, há doze anos integra o coral gospel Kerygma da Igreja Batista da Lagoinha.




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